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Big techs defendem IA aberta após modelo chinês interromper ataque causado por erro da OpenAI

Nvidia, Meta, Microsoft e Palantir assinam carta pedindo adoção nos EUA de estratégia similar à da China

Por Redação
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Recurso exclusivo para assinantes assineoufaça login Após agentes de inteligência artificial da Open AI escaparem de um ambiente controlado, 25 das principais empresas de tecnologia ocidentais divulgaram uma carta pedindo que o governo americano evite restrições aos grandes modelos de linguagem de código aberto, como os chineses Kimi K3 e Deep Seek. A carta divulgada nesta sexta-feira (24) é assinada por Nvidia, Microsoft e Meta e contraria reivindicações de Open AI, Anthropic e Google de limites à tecnologia chinesa, embora não haja no documento menção direta ao país.

Apesar de os modelos de linguagem abertos poderem se tornar armas nas mãos de invasores, a mesma tecnologia "expande a capacidade defensiva, aumenta a transparência e permite que vulnerabilidades sejam descobertas e remediadas", diz a carta. O manifesto vem na sequência do ataque reportado pelo Hugging Face no último dia 16.

O site, que é a principal biblioteca de modelos de IA na internet,só conseguiu expulsar os robôs descontrolados da Open AIque invadiram seus sistemas depois de recorrer ao modelo chinês GLM 5.2, de código aberto. Antes tentou, sem sucesso, usar tecnologia de ponta americana.

"As análises requerem o processamento de grandes volumes de comandos de ataque, vulnerabilidades de infraestrutura e artefatos, e esses pedidos eram negados por causa de salvaguardas de segurança dos principais laboratórios", explicou a empresa. "A escolha pelo modelo aberto teve uma segunda vantagem: nada dos códigos de ataque nem das credenciais [senhas e usuários] mencionadas saiu dos nossos sistemas", acrescentou o Hugging Face em relatório.

O relato do Hugging Face vai ao encontro da carta desta sexta. Enquanto concentrar IA avançada em um pequeno grupo de modelos fechados eleva os riscos, "os modelos abertos permitem que um amplo grupo de pesquisadores examine o comportamento da tecnologia, identifique vulnerabilidades e desenvolva salvaguardas adequadas ao longo do tempo", argumentam as big techs signatárias.

Em seu primeiro tweet, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirma que "modelos abertos fortalecem a defesa e a cibersegurança, aceleram a inovação e a popularização, permitindo a soberania." A declaração de Huang remete ao discursorecente do líder chinês Xi Jinping, que, no último dia 17, defendeu o trabalho conjunto no desenvolvimento tecnológico. "O desenvolvimento da IA não deve ser uma atuação de um único país, mas sim uma sinfonia de cooperação internacional", afirmou ele na cerimônia de abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial (WAIC na sigla em inglês).

A China já prioriza os modelos de código aberto desde que o Alibaba anunciou a primeira versão do Qwen em 2023. O Deep Seek R1, primeiro modelo chinês a balançar o mercado, em janeiro de 2025, também tem código aberto.

A situação se repete neste mês, com o anúncio do Kimi K3, do laboratório Moonshot, posicionado entre as três IAs mais potentes do mercado, ao lado de tecnologias das americanas Open AI e Anthropic. O Kimi K3 se tornou em todo o mundo um exemplo da força dos modelos abertos euma vitória da engenharia chinesa, apesar da restrição a exportações de chips americanos ao regime de Xi Jinping.

O modelo é otimizado para rodar em hardware chinês na inferência, como os chips da Huawei. O relatório da Moonshot mostra que o modelo foi treinado parcialmente com chips chineses, indicando que também houve uso de equipamento estrangeiro.

O texto é mais detalhado do que qualquer documento descritivo sobre as inteligências artificiais dos principais laboratórios americanos. A Moonshot deve disponibilizar a versão editável do modelo e seus pesos na próxima segunda-feira (27), quando empresas e pessoas, com acesso a supercomputadores, poderão reeditar suas próprias versões da IA, com especialidades diversas.

O pleito das empresas americanas contra a restrição da tecnologia chinesa e a favor da tecnologia aberta tem objetivos geopolíticos e econômicos, de acordo com o conselheiro do CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil) Rodolfo Avelino. "Se os EUA restringirem de forma excessiva os modelos abertos, eles podem reduzir a sua capacidade de inovação distribuída, já que hoje a inovação está concentrada mais em grandes corporações como Google e Anthropic do que em universidades", disse.

Para Avelino, as empresas americanas também têm interesses econômicos ao proporem a preferência pelos modelos abertos. A Meta e a Nvidia disponibilizam os próprios modelos abertos e a Microsoft lucra quando empresas usam sua infraestrutura de nuvem para rodar os pesados modelos IA, sejam eles chineses ou americanos.

"Essa carta expressa uma disputa sobre quem irá capturar valor na próxima fase da economia de inteligência artificial", diz o conselheiro do CGI.br. "Podemos ter um modelo baseado em código aberto e continuar dependendo das empresas que controlam os chips, os data centers e a nuvem.

É nessa camada que o poder continua concentrado." benefício do assinante Você tem7 acessos por diapara dar de presente. Qualquer pessoa que não é assinante poderá ler.

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